NOTÍCIAS DO DIA
INFARMED
Infarmed ouve centros de ensaio públicos e privados para atrair mais ensaios clínicos

O Infarmed está a promover um processo de colaboração estratégica para a investigação clínica em Portugal, que arrancou em setembro com reuniões de auscultação a promotores e centros de ensaio, públicos e privados. A iniciativa envolve também a Comissão de Ética para a Investigação Clínica (CEIC) e a Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB), e prevê a consolidação de uma estratégia nacional com indicadores.
A média anual de ensaios clínicos autorizados aumentou cerca de 31%, de 142 no período anterior à aplicação do Regulamento Europeu dos Ensaios Clínicos para 185 no período posterior. Em 2025 foram submetidos 209 ensaios, dos quais 180 multinacionais, e no primeiro semestre de 2026 já tinham sido submetidos 110, dos quais 102 multinacionais. O tempo médio de autorização dos ensaios mononacionais desceu para 27 dias, face a 32 dias em 2025.
O esforço acompanha a iniciativa europeia ACT-EU, que tem como metas até 2030 mais 500 ensaios clínicos multinacionais autorizados na União Europeia e que 66% dos ensaios recrutem participantes até 200 dias após a submissão do pedido. A auscultação prossegue com as pessoas com doença, tema do 4.º Fórum Incluir, a 29 de outubro.
Fonte: Infarmed
OMD
OMD propõe exigir certificação em suporte básico de vida para a sedação inalatória

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) pôs em consulta pública, por 30 dias úteis a contar de 12 de outubro, o projeto de alteração ao Regulamento n.º 724/2024, que regula o acesso à competência setorial de sedação mínima inalatória com protóxido de azoto e oxigénio em medicina dentária. A certificação em suporte básico de vida passa a ser requisito de acesso à competência.
O preâmbulo revisto estabelece que os médicos dentistas devem dispor de instalações, pessoal e equipamentos apropriados para realizar a sedação e lidar com qualquer emergência associada, e participar na revisão periódica do protocolo de emergência e do kit de medicamentos de emergência e em exercícios simulados. Em consultórios e clínicas dentárias, a sedação mínima destina-se a utentes com classificação ASA igual ou inferior a II, que devem ser monitorizados de forma continuada, nomeadamente ao nível dos sinais vitais, e só devem ter alta depois de regressarem ao estado de consciência anterior ao tratamento.
O projeto define ainda os requisitos do processo especial de acesso: formação em instituições de ensino superior nas áreas da odontopediatria ou da cirurgia oral, ou 70 horas de formação teórico-prática, das quais 35 de prática clínica, com apresentação de 10 casos clínicos. Para manter a competência, passa a ser necessária a participação num congresso científico da área a cada três anos. Os contributos devem ser enviados para [email protected].
Fonte: Ordem dos Médicos Dentistas
LEITURA MEDSUPPORT
A proposta da OMD não se limita à formação do médico dentista. O preâmbulo do regulamento descreve uma clínica preparada para a emergência, com instalações, pessoal e equipamentos adequados, revisão periódica do protocolo de emergência e do kit de medicamentos e realização de exercícios simulados. Nas clínicas que utilizam, ou pretendem utilizar, a sedação inalatória, convém que estes elementos estejam documentados e atualizados, porque são eles que demonstram que a resposta a uma emergência foi preparada. A experiência que temos no acompanhamento de clínicas dentárias indica que essa preparação se comprova, essencialmente, através dos registos: o protocolo de emergência em vigor, a verificação periódica do kit de medicamentos e a certificação em suporte básico de vida. Estando o projeto em consulta pública durante 30 dias úteis, este é o momento oportuno para cada clínica avaliar a sua situação. A sua clínica dispõe destes registos devidamente organizados?
IGAS
IGAS publica guião para inspecionar a emissão de certificados de incapacidade temporária

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) publicou a 9 de outubro um novo guião para as inspeções à emissão de certificados de incapacidade temporária para o trabalho (CIT). O documento define uma metodologia estruturada para uniformizar os procedimentos inspetivos, detetar eventuais irregularidades e melhorar a qualidade e a regularidade da atuação dos profissionais e das entidades envolvidas.
O guião aplica-se à emissão de certificados independentemente do setor de origem, público, privado ou social, na sequência do Decreto-Lei n.º 2/2024, que alargou a emissão destes certificados aos três setores. A inspeção abrange os médicos emissores, os mecanismos de controlo das entidades, incluindo indicadores de risco e a monitorização periódica da emissão, e os registos clínicos e administrativos.
Para cada certificado, a lista de verificação inclui os campos obrigatórios, o local de emissão, a data de início da doença e a data do exame, a assinatura digital, a transmissão eletrónica à Segurança Social, a existência de registo clínico correspondente, a coerência entre diagnóstico, duração e tratamento, e o contacto administrativo associado. O guião recorda os limites de 12 dias para o período inicial, de 30 dias para a prorrogação e de 30 dias para a retroatividade.
Numa averiguação divulgada em 2025 a certificados emitidos a agentes da PSP, a IGAS investigou 11 médicos dos setores público e privado e analisou 92 certificados. As irregularidades formais detetadas relacionavam-se sobretudo com a insuficiência ou a falta de registos clínicos e, em quatro casos, com certificados emitidos com data de início anterior à realização do exame. A IGAS concluiu que não houve casos de falsidade de documento nem de complacência na emissão.
Fontes: IGAS · Renascença
LEITURA MEDSUPPORT
O novo guião da IGAS organiza as inspeções em torno de três aspetos: as condições exigidas para a emissão do certificado, os procedimentos seguidos e os elementos que devem constar da documentação. Na averiguação divulgada em 2025, as irregularidades formais detetadas relacionavam-se sobretudo com a insuficiência ou a falta de registos clínicos e com certificados emitidos com data anterior à do exame. Nas unidades onde se emitem estes certificados, o registo clínico que fundamenta cada um é, por isso, um dos elementos que a inspeção vai procurar. A sua unidade consegue demonstrar, para cada certificado emitido, o registo que o sustenta?
ANID
Só três em cada dez internados são rastreados para a desnutrição associada à doença

Cerca de 115 mil pessoas, o equivalente a 1% da população, poderão ter problemas de nutrição associados à doença, mas o rastreio abrange apenas 31% dos internados nos hospitais, estima a Associação Nacional da Indústria de Alimentação Infantil e Nutrição Entérica e Parentérica (ANID).
Segundo o secretário-geral da associação, Pedro Queiroz, estes diagnósticos têm de ser feitos em contexto hospitalar, para permitir uma intervenção imediata. A ANID sublinha que uma intervenção nutricional adequada reduz complicações e diminui o tempo de internamento.
A associação alerta ainda para a transição do hospital para o domicílio, que exige coordenação entre equipas, planos nutricionais claros, formação para cuidadores, monitorização regular e acesso garantido aos produtos prescritos. As declarações foram feitas a propósito do Fórum Nacional da Nutrição Clínica, que a ANID realiza hoje em Lisboa.
Fonte: RTP (Lusa)
LEITURA MEDSUPPORT
O rastreio nutricional na admissão é um passo simples do processo de internamento, mas só produz efeito quando está definido: quem o faz, com que instrumento, em que momento e onde fica registado. Segundo a ANID, apenas 31% dos internados são rastreados. Nas unidades com internamento, a definição deste procedimento e do respetivo registo contribui para a qualidade dos cuidados e para uma preparação mais segura da alta. O rastreio nutricional faz parte do processo de admissão da sua unidade?
ULS DA GUARDA
Congresso de Feridas reúne-se na Guarda, amanhã e quinta-feira

A Guarda acolhe a 14 e 15 de outubro, no Teatro Municipal, o 6.º Congresso de Feridas, organizado pela Comissão de Prevenção e Tratamento de Feridas da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, em parceria com a Escola Superior de Saúde da Universidade Politécnica da Guarda, sob o tema "Tempo de Cuidar".
O programa inclui palestras, mesas-redondas, simpósios e workshops sobre cicatrização, terapia hiperbárica e prevenção como estratégia central, e sobre respostas integradas para os desafios em feridas, num contexto de envelhecimento da população e de cronicidade das doenças. Serão também apresentadas novas tecnologias, produtos, materiais e técnicas para o tratamento de feridas.
Fonte: Observador (Lusa)
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