NOTÍCIAS DO DIA
FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD
Prémio Champalimaud distingue investigação que devolveu visão a cegos

O trabalho que permitiu a pessoas com deficiência visual ou cegas devido a doenças da retina recuperarem parcialmente a visão valeu aos investigadores Botond Roska e José-Alain Sahel o Prémio António Champalimaud 2026, no valor de um milhão de euros.
Os dois médicos desenvolveram terapias que recorrem à optogenética, tornando sensíveis à luz algumas células da retina de pessoas cegas e reativando-as, de modo a substituir os fotorrecetores perdidos por danos ou por doenças genéticas. Em modelos animais de degenerescências hereditárias da retina, a ativação de células ganglionares e bipolares ou de cones fotorrecetores dormentes permitiu restabelecer algum grau de função visual, e as abordagens foram depois testadas em ensaios clínicos em humanos.
Botond Roska é médico e investigador biomédico húngaro da Universidade de Basileia, na Suíça, e diretor fundador do Instituto de Oftalmologia Molecular e Clínica da mesma cidade. José-Alain Sahel é oftalmologista e investigador francês da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e diretor fundador do Institut de la Vision, em Paris.
No mundo, cerca de 43 milhões de pessoas são cegas e 295 milhões vivem com deficiência visual, muitas por doenças da retina e por degenerescência macular. Criado em 2006, o Prémio Champalimaud distingue, nos anos pares, descobertas científicas na compreensão e preservação da visão.
Fonte: Saúde+ (Lusa)
DGS
Imunização contra o VSR começa hoje e decorre também em maternidades privadas

A imunização contra a infeção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em idade pediátrica está disponível, de forma gratuita, a partir de hoje, 16 de setembro, e abrange todas as crianças nascidas entre 1 de abril de 2026 e 31 de março de 2027. A campanha decorre até 31 de março de 2027 e é a terceira época em que o anticorpo monoclonal é disponibilizado gratuitamente.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) define dois circuitos, consoante a data de nascimento:
Em maternidades dos setores público, privado e social, para crianças nascidas entre 16 de setembro de 2026 e 31 de março de 2027.
Nos cuidados de saúde primários e em hospitais, para crianças nascidas entre 1 de abril e 15 de setembro de 2026, bem como para crianças pré-termo ou com outros fatores de risco.
O anticorpo é também disponibilizado às crianças com fatores de risco acrescido para infeção grave que entrem na sua segunda época sazonal e que não tenham completado 24 meses até 30 de setembro de 2026, independentemente de terem sido imunizadas em campanhas anteriores.
Segundo a DGS, a campanha visa proteger os lactentes nos primeiros meses de vida e reduzir a carga de doença e o impacto nos serviços de saúde, nomeadamente o recurso às urgências hospitalares e os internamentos por infeção respiratória. O enquadramento técnico consta da Norma n.º 004/2026, de 2 de setembro.
Fontes: Direção-Geral da Saúde · Norma n.º 004/2026
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A campanha abrange as maternidades privadas e sociais, e isso muda três coisas na operação: é preciso ter o anticorpo disponível e conservado nas condições exigidas, ter definido quem administra e quem regista, e garantir que o registo acompanha a criança quando sai da unidade. As datas fazem o resto do trabalho: crianças nascidas a partir de hoje são imunizadas na maternidade, e as nascidas entre 1 de abril e 15 de setembro ficam para os cuidados primários e hospitais, o que obriga a unidade a saber, em cada caso, para onde encaminhar em vez de decidir na hora.
INE
Um terço da população consumiu medicamentos sem receita em 2025

Um terço da população residente em Portugal com 15 ou mais anos, 33,2%, consumiu medicamentos não prescritos em 2025, segundo os dados do Inquérito Nacional de Saúde 2025 do Instituto Nacional de Estatística (INE), realizado com base numa amostra representativa de 22.000 alojamentos.
O consumo sem receita é mais frequente entre os mais jovens: 38,6% das pessoas dos 25 aos 34 anos tomaram estes fármacos nas duas semanas anteriores à entrevista, acima dos 33,9% que tomaram medicamentos prescritos no mesmo grupo etário. A percentagem mais elevada regista-se dos 35 aos 44 anos, com 40,4%. Por região, o Algarve lidera, com 38,6%, seguido da Grande Lisboa, com 38%, e do Alentejo, com 26,2%. Ainda assim, o INE sublinha que o consumo de medicamentos prescritos foi superior ao de não prescritos em todas as regiões.
No consumo habitual de medicamentos prescritos, a hipertensão arterial e o colesterol ou triglicéridos são as condições mais associadas, com 27% e 24,4%. Seguem-se os medicamentos para insónia, com 14,7%, ansiedade, com 12,1%, e depressão, com 9,3%.
Quanto ao acesso a cuidados, a proporção da população que consultou um dentista no último ano diminui com a idade, sendo superior a 70% dos 15 aos 24 anos e inferior a 60% a partir dos 55 anos, e aumenta com a escolaridade, chegando a 76,7% em quem tem ensino superior. As consultas com psiquiatras, psicólogos ou psicoterapeutas e com fisioterapeutas, cinesioterapeutas, quiropráticos ou osteopatas são as menos frequentes em todos os segmentos, com o valor mais alto no grupo dos 25 aos 34 anos, 24,4% e 19,3% respetivamente.
Nos cuidados preventivos, 51,4% da população com 50 ou mais anos realizou uma colonoscopia nos dez anos anteriores, 79,7% das mulheres dos 50 aos 69 anos fizeram mamografia nos dois anos anteriores e 65,7% das mulheres dos 20 aos 69 anos fizeram citologia cervical nos últimos três anos.
Fonte: Saúde+ (Lusa)
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Os dados do INE descrevem a procura que as unidades privadas vão ter, e há dois padrões a reter. O primeiro é que a ida ao dentista cai com a idade e sobe com a escolaridade, o que significa que a captação de utentes acima dos 55 anos não se resolve com preço, resolve-se com motivo. O segundo é o peso do que é consumido sem prescrição: quem chega à consulta já tentou resolver sozinho, e a anamnese tem de contar com isso.
UNIVERSIDADE DE COIMBRA
Programa digital de apoio psicológico na menopausa em fase de testes

Uma equipa da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra desenvolveu um programa de intervenção psicológica para mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa, disponibilizado em formato digital e acessível por computador ou telemóvel.
O programa chama-se Cuidar-ME, é composto por oito módulos que cada participante realiza ao seu ritmo, com informação, exercícios e estratégias em áreas como a gestão da ansiedade, a regulação do humor e a aceitação. Segundo a coordenadora do projeto, Ana Fonseca, docente da Faculdade e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental, a transição para a menopausa traz mudanças físicas e psicológicas com impacto no bem-estar e nas relações pessoais e profissionais, e o tema continua a ser tratado como tabu. O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
A ferramenta está em fase de testes, com um estudo destinado a mulheres entre os 40 e os 60 anos residentes em Portugal, que se encontrem na perimenopausa ou na pós-menopausa. Para participar basta ter acesso a um computador ou telemóvel com ligação à internet, e a inscrição faz-se através do formulário disponibilizado pela equipa de investigação, indicado na notícia da fonte.
Fonte: Renascença
INFARMED
Exportação suspensa para os medicamentos que estiveram em rutura em agosto

O INFARMED atualizou, pela Circular Informativa n.º 089/CD/100.20.200, de 14 de setembro, as listas anexas ao Regulamento sobre notificação prévia de transações de medicamentos para o exterior do país.
A primeira lista identifica os medicamentos cuja exportação, ou distribuição para outros Estados-membros da União Europeia, e respetivas quantidades, dependem de notificação prévia do distribuidor por grosso à autoridade, ao abrigo da Deliberação n.º 096/CD/2026.
A segunda identifica os medicamentos cuja exportação fica temporariamente suspensa, ao abrigo da Deliberação n.º 097/CD/2026, e abrange todos os medicamentos críticos que estiveram em rutura no mês de agosto, os medicamentos que estejam a ser abastecidos ao abrigo de autorização de utilização excecional e todos os medicamentos contendo quetiapina em formas orais sólidas, comercializados ou temporariamente indisponíveis.
As listas entram em vigor no dia útil seguinte ao da sua publicação, e a plataforma SiExp é atualizada em conformidade.
Fonte: INFARMED
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