NOTÍCIAS DO DIA
ECOGRAFIA OBSTÉTRICA
Médico sem a competência exigida fez 4.734 ecografias obstétricas no privado

Um obstetra realizou 4.734 ecografias obstétricas em três anos numa clínica privada, sem deter a certificação exigida para este tipo de exame. Segundo o Público, que cita dados enviados pela própria clínica à Entidade Reguladora da Saúde (ERS), foram 1.730 exames em 2023, 1.948 em 2024 e 1.056 em 2025, realizados a grávidas com seguro de saúde, que pagaram por eles.
A clínica em causa, no Pinhal Novo, tinha pedido em março de 2023 à Administração Central do Sistema de Saúde a suspensão temporária da convenção com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) nesta área, precisamente por não ter profissionais habilitados para realizar os exames. Continuou, porém, a atender grávidas com seguros de saúde.
Em causa estão as alterações introduzidas pela Ordem dos Médicos depois do caso conhecido como o "bebé sem rosto", de 2019, no Hospital de São Bernardo, em Setúbal. A partir daí, a Ordem determinou que as ecografias do primeiro e do terceiro trimestres e a ecografia morfológica passassem a ser realizadas por médicos com competência para ecografia obstétrica diferenciada de nível 1.
A grávida cujo bebé nasceu com uma perna incompleta fez a ecografia nessa clínica em 2023, já depois de a unidade ter deixado de realizar estes exames para o SNS. A Ordem dos Médicos confirmou à ERS que o obstetra não detém a competência de ecografia diferenciada, e o bastonário, Carlos Cortes, afirmou em novembro do ano passado que tinha sido aberto um processo disciplinar ao clínico. Em resposta à ERS, a clínica garantiu ter confiança na qualidade do trabalho do médico, justificando que, entre janeiro e março de 2023, o obstetra enviou 78 exames para avaliação hospitalar por suspeita de malformações.
A mesma clínica consta das deliberações do segundo trimestre de 2026 da ERS, publicadas na semana passada e noticiadas nesta newsletter na edição 917.
LEITURA MEDSUPPORT
Há uma diferença entre ter um médico inscrito na Ordem e ter um médico habilitado para o ato concreto que executa na sua unidade. É essa diferença que aqui falha, e é a mesma que está na origem das nove suspensões imediatas de atividade que a ERS decretou em 2025. E note-se onde o caso se concentra: a clínica deixou de fazer os exames para o SNS por não ter quem os pudesse fazer, e continuou a fazê-los para seguros. O filtro existia de um lado e não do outro.
OMS
Portugal com transmissão comunitária de mpox e 66 casos em seis semanas

Portugal registou transmissão comunitária da subvariante Ib do vírus mpox, tendo reportado 66 casos de infeção dessa linhagem num período de seis semanas, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado na segunda-feira.
Nesse período de seis semanas, Portugal foi o país europeu com mais casos reportados desta linhagem, seguido da Alemanha, com 24, da França, com 20, do Reino Unido, com 18, e da Irlanda, com 12. No número cumulativo de casos desta linhagem específica, os países europeus com mais registos são Espanha, com 241, França, com 173, Portugal, com 162, e a Alemanha, com 140.
Segundo a OMS, um país é classificado como tendo transmissão comunitária quando pelo menos um caso reportado nas últimas seis semanas não tem ligação a uma viagem recente nem a um viajante proveniente de um país com transmissão comunitária durante o período de incubação. A classificação aplica-se independentemente do número de casos notificados.
A última informação mensal disponível da Direção-Geral da Saúde (DGS) data de 31 de maio de 2025 e dava conta de três surtos desde maio de 2022, com 1.236 casos confirmados e duas mortes. A Lusa pediu à DGS uma reação aos dados da OMS e não obteve resposta.
Em agosto, a OMS manteve a avaliação de risco global da mpox como moderado, com novos surtos reportados em vários países e mais de mil casos confirmados por mês. Em julho, 32 países de quatro regiões da OMS reportaram 1.370 casos confirmados e sete mortes, com cerca de três quartos das infeções notificadas em África.
Fontes: CNN Portugal · Renascença
DGS
Poeiras do Norte de África: DGS emite recomendações

Uma massa de ar proveniente dos desertos do Norte de África, que transporta poeiras em suspensão, atravessa Portugal continental durante os dias 14 e 15 de setembro, afetando sobretudo a zona sul do território, em especial Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) prevê uma situação de fraca qualidade do ar no continente, com aumento das concentrações de partículas inaláveis de origem natural, as PM10, que têm efeitos na saúde humana sobretudo na população mais sensível.
Enquanto o fenómeno se mantiver, a DGS recomenda que a população em geral evite esforços prolongados, limite a atividade física ao ar livre e evite a exposição a fatores de risco como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes. Crianças, idosos, doentes com problemas respiratórios crónicos, designadamente asma, e doentes do foro cardiovascular devem, sempre que viável, permanecer no interior dos edifícios, preferencialmente com as janelas fechadas. Os doentes crónicos devem manter os tratamentos médicos em curso e, em caso de agravamento de sintomas, contactar a Linha SNS 24 ou recorrer a um serviço de saúde.
Os valores medidos nas estações de monitorização podem ser consultados na página da Agência Portuguesa do Ambiente ou na aplicação QualAr.
Fonte: Direção-Geral da Saúde
CIRURGIA DE AMBULATÓRIO
Dia Mundial da Cirurgia Ambulatória assinala-se a 30 de setembro

No âmbito do 2.º Dia Mundial da Cirurgia Ambulatória, a International Association for Ambulatory Surgery (IAAS) promove, a 30 de setembro, o seu oitavo webinar, subordinado ao tema "Advancing the Frontiers of Ambulatory Surgery Worldwide".
A sessão conta com a intervenção de Gamal Eldin Mohamed, da Hungria, sobre o papel da formação e das iniciativas educativas no desenvolvimento da cirurgia ambulatória nos países da Europa Central e de Leste. A moderação fica a cargo de Luis Hidalgo Grau, presidente da IAAS, e de Marie-Louise Ulsøe, presidente eleita da associação.
A participação está sujeita a inscrição prévia, e a divulgação em Portugal é feita pela Associação Portuguesa de Cirurgia Ambulatória (APCA), que disponibiliza a ligação para o formulário de inscrição.
Fonte: APCA
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