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NOTÍCIAS DO DIA

MEDICINA DENTÁRIA

Ómega-3 e aspirina em baixa dose igualam antibióticos na periodontite grave

Um estudo clínico multicêntrico realizado no Brasil e nos Estados Unidos sugere que a combinação de ómega-3 com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose pode constituir uma alternativa à terapêutica antibiótica em determinados casos de periodontite grave.

O trabalho, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), acompanhou durante um ano 109 doentes com periodontite avançada. Todos foram submetidos a instrumentação subgengival e depois distribuídos por grupos: um recebeu amoxicilina e metronidazol durante 14 dias, outro recebeu 3 g diários de ómega-3 com AAS durante seis meses, um terceiro combinou as duas abordagens, e o último recebeu placebo.

Ao fim de 12 meses, 58% dos doentes tratados com antibióticos atingiram o objetivo clínico definido pelos investigadores, não apresentar mais de quatro bolsas periodontais profundas. No grupo do ómega-3 com AAS o resultado foi praticamente idêntico, 57,7%. No grupo submetido apenas a instrumentação subgengival e placebo, a proporção ficou nos 23,1%.

A associação de antibióticos com ómega-3 e AAS não trouxe benefício adicional face a qualquer das estratégias usadas isoladamente. Os investigadores admitem que o efeito do ómega-3 possa estar relacionado com a modulação da resposta inflamatória e dos mecanismos naturais de resolução da inflamação, e não com a simples supressão dessa resposta.

Os autores sublinham que é necessária mais investigação antes de considerar a substituição sistemática dos antibióticos, e que a eventual utilização de ómega-3 com AAS deve ser avaliada caso a caso e integrada numa abordagem periodontal adequada. Os resultados assumem particular interesse face à crescente preocupação com a resistência aos antibióticos.

O estudo foi publicado no Journal of Periodontology em 2026.

CONTROLO DE INFEÇÃO

Desinfetantes com amónio quaternário sob escrutínio científico crescente

Os compostos de amónio quaternário (QAC) são os ingredientes ativos de muitos desinfetantes utilizados em casas, escritórios, creches, escolas, lares de idosos e hospitais, e estão também presentes em toalhitas, ambientadores, produtos para a roupa e produtos de higiene pessoal. Classificados como pesticidas, foram desenvolvidos em 1916 e usados em larga escala a partir da década de 1940, durante muito tempo considerados inofensivos quando utilizados conforme as instruções.

Estudos laboratoriais e em animais realizados ao longo da última década levantaram preocupações sobre os seus efeitos na inflamação, nos sistemas imunitário e respiratório, nas hormonas reprodutivas e no desenvolvimento do cérebro. Segundo Amina Salamova, professora de saúde ambiental na Emory University, os compostos agravam a asma e as doenças pulmonares crónicas, sobretudo em contextos profissionais, onde foram mais estudados. Estudos-piloto detetaram QAC no soro sanguíneo humano, no leite materno, na urina e nas fezes.

A utilização disparou durante a pandemia. Um estudo concluiu que os níveis destes compostos no pó doméstico aumentaram 62% nesse período, e no sangue humano 77% num único ano. Salamova, que estuda a exposição em espaços interiores, verificou que os níveis no pó de creches e instituições de cuidados assistidos eram cerca de três vezes superiores aos das habitações.

Há contraditório, e é relevante. O American Cleaning Institute considera que a comparação destes compostos com os PFAS não é sustentada pela ciência disponível, e o seu diretor de saúde ambiental, Dan Selechnik, sublinha que a deteção de uma substância no sangue ou noutras amostras não prova, por si só, a existência de efeito adverso. Mike Gruber, da Household & Commercial Products Association, acrescenta que a relevância dos estudos em células e animais depende da dose, da via de exposição, da duração e da proximidade entre as condições do estudo e a utilização real.

Para lá dessa discussão, os investigadores deixam duas indicações práticas. A primeira é de procedimento: segundo Terry Hrubec, professora de anatomia e embriologia no Edward Via College of Osteopathic Medicine, utilizar um desinfetante sem limpar primeiro não é de todo eficaz. A segunda é de critério. Nas palavras de Salamova, a mensagem não é deixar de limpar ou desinfetar, mas compreender quando basta limpar e quando é realmente necessário desinfetar.

Quando a desinfeção é necessária, os especialistas citados apontam como alternativas mais seguras os produtos com álcoois, peróxido de hidrogénio e ácido cítrico, incluindo toalhitas com álcool, recomendando que se verifique sempre no rótulo contra que agentes patogénicos o ingrediente ativo é eficaz.

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Sabe de cor o princípio ativo do desinfetante que a sua unidade usa nas superfícies? A maioria de nós não sabe, e é essa a primeira coisa a mudar. A discussão científica sobre estes compostos vai continuar durante anos, mas há duas decisões que não dependem dela. A primeira é de procedimento: desinfetar sem limpar antes não é eficaz, e vale a pena confirmar como está escrito no plano de higienização. A segunda é de escolha de produto. Quando a desinfeção é mesmo necessária, existem alternativas de perfil mais favorável, à base de álcoois, peróxido de hidrogénio ou ácido cítrico, desde que se confirme no rótulo que o ingrediente ativo cobre os agentes patogénicos em causa. Um plano que manda desinfetar tudo, sempre, e com o mesmo produto, gasta mais e não protege melhor do que um plano que define onde a desinfeção é necessária e com quê.

OMD

OMD muda-se para instalações provisórias enquanto constrói nova sede

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) transita esta semana para instalações provisórias, no Edifício LACS Porto, na Rua de Azevedo Coutinho, 39. A mudança da equipa está marcada para quarta-feira, 9 de setembro, e decorre ao abrigo de um plano de mudança estruturado, destinado a acautelar os recursos necessários ao funcionamento normal da instituição.

A atual sede, na Avenida Dr. Antunes Guimarães, no Porto, dá lugar a um novo edifício que resultará da união de espaços nessa avenida e na Rua Fonte da Moura. Segundo a Ordem, a nova sede foi desenhada para garantir mais espaço, com uma estrutura mais moderna, mais sustentável e tecnologicamente preparada.

O projeto encontra-se na fase final de execução da arquitetura e das especialidades de engenharia, que serão posteriormente submetidas à Câmara Municipal do Porto para licenciamento.

Para os médicos dentistas e restantes utilizadores dos serviços, muda apenas o endereço físico, mantendo-se os demais contactos. A Ordem admite, ainda assim, que a transição possa causar constrangimentos pontuais nos tempos de resposta durante os próximos dias.

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Se tem obras no horizonte, o planeamento é o início de qualquer mudança de sucesso. Parece mais demorado e é o contrário: quem chega ao licenciamento com tudo resolvido em projeto é quem acelera. O tempo que se poupa a começar depressa costuma ser devolvido, com juros, em alterações a meio da obra, em pedidos de elementos adicionais e em meses de portas fechadas que ninguém tinha orçamentado.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Especialistas preparam recomendações para integrar a Saúde na Agenda Nacional de Inteligência Artificial

Um grupo alargado de especialistas de várias áreas da saúde vai reunir-se para definir um conjunto de recomendações a apresentar ao Governo, com o objetivo de integrar de forma concreta o setor da saúde na Agenda Nacional de Inteligência Artificial (IA).

As propostas serão debatidas e consolidadas na 2.ª Conferência de Consenso sobre a Agenda Nacional de Inteligência Artificial, a 18 de setembro de 2026, às 09h00, no Campus de Santana da NOVA Medical School, em Lisboa. O evento resulta de uma parceria com a Comissão para a Inteligência Artificial da Ordem dos Médicos.

A iniciativa junta representantes da academia, entidades reguladoras, hospitais, ordens profissionais, associações de doentes e do ecossistema de inovação, e os trabalhos organizam-se em três áreas estratégicas: governação, regulação, ética e confiança; dados, interoperabilidade e infraestrutura; e adoção, profissões e sustentabilidade.

Sérgio Laranjo, médico cardiologista e diretor académico do Centro de Conhecimento em IA, Evidência do Mundo Real e Saúde Digital da NOVA Medical School, considera que a questão já não é saber se a IA terá um papel relevante na saúde, mas decidir como se pretende utilizá-la, e defende que Portugal tem a oportunidade de definir uma abordagem que combine inovação com responsabilidade. Os especialistas apontam como urgente avançar da discussão conceptual para a definição de condições práticas de utilização, supervisão e avaliação no sistema de saúde português.

Entre os participantes contam-se Pedro Póvoa, diretor da NOVA Medical School, António Vaz Carneiro, coordenador da Comissão para a IA da Ordem dos Médicos, Luís Goes Pinheiro, presidente do Conselho de Administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Francisco Maio Matos, presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Coimbra, e Hélder Mota Filipe, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos.

A sessão termina às 13h00 com a síntese dos contributos, a partir dos quais será elaborado o documento final de recomendações, destinado a contribuir para um capítulo dedicado à saúde na Agenda Nacional para a Inteligência Artificial.

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