NOTÍCIAS DO DIA
COMPORTAMENTO DOS UTENTES
Dores no pescoço e nos cotovelos associadas a excesso de jogo no telemóvel

Um estudo publicado na revista The Open Public Health Journal associa a dependência de jogos em dispositivos móveis a queixas significativamente mais frequentes de dores no pescoço, na parte superior das costas, nos cotovelos e nos pulsos.
Foram inquiridos 364 estudantes de medicina de universidades na Jordânia. Cerca de 9%, ou seja 34 pessoas, cumpriam os critérios de dependência definidos no estudo. As diferenças concentram-se nas zonas do corpo mais solicitadas pelo uso prolongado do telemóvel. Entre os classificados como dependentes, 85,3% referiram dores no pescoço, contra 65% dos restantes. Nas dores no cotovelo a diferença é ainda maior: 41,2% contra 12,5%. Seguem-se as dores nos pulsos e nas mãos, com 41,2% contra 34%, e na parte superior das costas, com 64,7% contra 55%.
Os estudantes com dependência também referiram mais frequentemente que as queixas interferiam com as atividades do dia a dia, incluindo o estudo e o lazer, e alguns procuraram cuidados médicos por dores nos pulsos, nas mãos, nas ancas e nos joelhos.
Os autores descrevem o problema como ergonómico: segurar o telemóvel durante períodos longos implica pega contínua, posições fixas do pescoço e dos braços e movimentos repetitivos. Defendem por isso que os jogos não sejam tratados apenas como uma questão de tempo de ecrã ou de bem-estar psicológico, e apelam a formação em ergonomia, treino postural e orientações sobre pausas e posicionamento dos dispositivos.
É um estudo transversal, com amostra pequena no grupo com dependência e assente em dor auto-relatada. Mostra associação e não prova relação causal.
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O padrão é o mesmo que já se conhece do trabalho de escritório, com uma diferença que interessa a quem faz triagem: o utente não associa a queixa ao telemóvel e não a menciona. Uma pergunta sobre quantas horas passa com o telefone na mão custa dez segundos e pode explicar uma dor que já vai em meses.
Fontes: Euronews · The Open Public Health Journal
DGS
DGS alarga imunização contra o VSR a todas as crianças e fixa regras para maternidades privadas

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou a Norma n.º 004/2026, de 02/09/2026, que define a campanha de imunização sazonal contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em idade pediátrica para o outono-inverno de 2026-2027. A norma revoga a anterior, de agosto de 2025, e é assinada pela diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado.
A alteração de fundo é o alargamento universal da estratégia. Passam a ser elegíveis todas as crianças nascidas entre 1 de abril de 2026 e 31 de março de 2027, e não apenas as de risco acrescido. Mantêm-se elegíveis os prematuros até às 33 semanas e 6 dias nascidos no primeiro trimestre de 2026, e as crianças com fatores de risco a entrar na segunda época sazonal. A campanha decorre de 16 de setembro de 2026 a 31 de março de 2027, com uma fase de repescagem entre 16 de setembro e 30 de outubro. O produto utilizado é o anticorpo monoclonal nirsevimab, em dose única de 50, 100 ou 200 miligramas consoante o peso e o grupo.
O ponto que interessa às unidades privadas está numa nota de rodapé e nos pontos sobre locais de administração. A imunização ocorre na maternidade, incluindo dos setores privado e social, para as crianças nascidas a partir de 16 de setembro, preferencialmente nas primeiras 24 a 48 horas de vida. Às maternidades privadas e sociais que cumpram o estipulado na Portaria n.º 114/2024/1, de 22 de março, o anticorpo é disponibilizado pela Unidade Local de Saúde (ULS) territorialmente competente.
Com isso vêm obrigações concretas. Os pontos de vacinação têm de cumprir os requisitos do artigo 14.º da mesma portaria e garantir um sistema de armazenamento e rotação de stocks segundo o princípio FEFO, ou seja, utilizar primeiro os lotes de validade mais curta. Cada administração tem de ser obrigatoriamente registada na Plataforma Nacional de Registo e Gestão da Vacinação, com o código IgVSR, durante a própria sessão ou até 24 horas depois, com os critérios de elegibilidade. Nas transcrições referentes a maternidades privadas ou sociais, o campo "Contexto de administração" deve ficar preenchido como "Estrutura de Saúde (Não SNS)". Após a administração, a criança permanece em vigilância no local durante um mínimo de 30 minutos.
A norma proíbe ainda expressamente qualquer manuseamento fora das condições autorizadas, nomeadamente o fracionamento ou a reutilização parcial das seringas pré-cheias. E esclarece que, se a grávida tiver sido vacinada contra o VSR com pelo menos 14 dias de antecedência face ao parto, não está indicada a administração do anticorpo ao recém-nascido.
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Se a sua unidade é uma maternidade privada ou social, esta norma cria trabalho concreto antes de 16 de setembro. É preciso confirmar que o estabelecimento cumpre os requisitos de ponto de vacinação, articular com a ULS territorialmente competente o fornecimento do anticorpo, garantir que há quem registe cada administração na Plataforma VACINAS dentro de 24 horas e com o contexto correto, e assegurar as condições de armazenamento e o espaço para os 30 minutos de vigilância. Nada disto se resolve na véspera.
Fonte: Direção-Geral da Saúde
GESTÃO DE UNIDADES
Associação exige garantias imediatas para os utentes da clínica de fertilidade que encerrou

A Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) exigiu garantias imediatas de acompanhamento dos utentes da clínica de procriação medicamente assistida (PMA) que encerrou em Cascais, na sequência da declaração de insolvência da entidade que a explorava. A situação foi tema da nossa edição de 1 de setembro.
Em comunicado, a associação apelou ao Ministério da Saúde, ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) e às restantes entidades com responsabilidade na matéria para que atuem de forma célere e coordenada, assegurando respostas concretas às pessoas afetadas.
A presidente da APF, Cláudia Vieira, sublinha que a situação envolve pessoas a meio de tratamentos, mas também material biológico, embriões e gâmetas, cuja preservação, transferência e utilização exigem os mais elevados padrões de segurança, rastreabilidade e acompanhamento. E alerta para o fator tempo: cada ciclo representa meses ou anos de tentativa e um investimento financeiro e emocional elevado, pelo que a interrupção ou o atraso dos cuidados pode ter consequências irreversíveis.
A APF reconhece que uma insolvência tem implicações jurídicas e financeiras complexas, mas defende que a proteção dos utentes e a continuidade dos cuidados não podem ficar dependentes da resolução desses processos. Considera prioritário garantir informação individualizada, clara e atempada a todos os afetados, a salvaguarda e rastreabilidade do material biológico armazenado, e a continuidade clínica dos tratamentos sem atrasos injustificados.
Segundo o comunicado, está prevista a transferência dos embriões e gâmetas para outra unidade em Lisboa, mas permanecem por esclarecer aspetos fundamentais do acompanhamento clínico dos utentes e da continuidade dos tratamentos em curso.
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Duas semanas depois, o caso ainda está por resolver e a razão é a que já se via na sentença: quando uma unidade fecha sem cumprir os deveres de comunicação, o vazio não é preenchido automaticamente por nenhuma entidade. Fica quem lá estava a ter de reclamar aquilo que devia ter chegado sozinho. O plano de continuidade é como as demais boas práticas de gestão de uma unidade de saúde: só se dá por ele quando não está feito, ou quando está mal feito, e nessa altura já é tarde. Por isso a organização e a melhoria contínua merecem lugar na operação de todos os dias, e não numa gaveta.
Fonte: Saúde+
MEDICINA DENTÁRIA
Lisboa recebe pela primeira vez o maior congresso europeu de investigação em saúde oral

O CED/NOF-IADR Oral Health Research Congress 2026 decorre de hoje a sexta-feira, 5 de setembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. É a primeira vez que Portugal recebe este congresso, organizado pelas divisões europeia e escandinava da International Association for Dental, Oral, and Craniofacial Research (IADR).
A IADR é a principal associação científica mundial dedicada à investigação em medicina dentária e saúde oral, com mais de cem anos de história e uma comunidade de mais de dez mil investigadores. Esta edição reúne mais de 900 participantes, com 685 trabalhos científicos submetidos e 48 investigadores convidados de 19 países, provenientes de instituições como Stanford, Harvard, King's College London, KU Leuven, Hong Kong, Gotemburgo e Genebra.
Preside ao congresso António HS Delgado, professor e investigador na Egas Moniz School of Health & Science, ligado ao CiiEM e membro da divisão europeia da IADR desde 2024. Em entrevista a O JornalDentistry, destaca o dinamismo da investigação jovem no polo de Almada e Lisboa em áreas como periodontologia, materiais dentários, oclusão e reabilitação oral, e refere que o congresso atraiu patrocinadores da China e dos Estados Unidos, o que descreve como pouco habitual num evento regional europeu.
O programa científico está disponível em ced-iadr2026.com.
Fonte: O JornalDentistry
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