NOTÍCIAS DO DIA
MEDICINA DENTÁRIA
Imposto de 20% sobre bebidas açucaradas evitaria milhões de casos de cárie

Uma investigação da Griffith University, na Austrália, estima que a aplicação de um imposto de 20% sobre o açúcar evitaria, ao longo da vida, 3,7 milhões de casos de cárie dentária, 191 mil casos de doença periodontal e 115 mil casos de edentulismo, ou seja, de perda total de dentes.
O estudo foi liderado por Lennert Veerman, professor na School of Medicine and Dentistry da Griffith University, e avaliou o impacto da redução do consumo de açúcar não apenas na cárie, mas também na periodontite e na perda total de dentes. Segundo os investigadores, a medida geraria cerca de 500 mil anos de vida ajustados pela saúde na população australiana de 2019, contando com a melhoria da saúde oral e com a redução de doenças associadas ao excesso de peso. Os homens seriam os principais beneficiários, por apresentarem em média maior consumo de bebidas açucaradas e níveis basais mais elevados de algumas doenças orais.
É um estudo de modelação, não uma medição. Projeta o que aconteceria caso o imposto fosse aplicado, a partir de dados de consumo e de prevalência, e não observa uma população antes e depois. O trabalho foi publicado na revista BMJ Public Health.
Para os autores, os resultados reforçam a importância de considerar a saúde oral nas políticas de redução do consumo de açúcar, cujos benefícios ultrapassariam a prevenção da obesidade e da diabetes.
LEITURA MEDSUPPORT
Nenhuma clínica muda o consumo de açúcar de quem quer que seja. O que muda é a conversa na cadeira: quando a bebida açucarada deixa de ser um detalhe do estilo de vida e passa a ser o fator com maior peso mensurável na história clínica que se vai construir ao longo de trinta anos, a pergunta sobre o que se bebe deixa de ser conversa de circunstância e passa a fazer parte do exame.
Fontes: O JornalDentistry · Griffith University
IPAC
IPAC fixa princípios para o uso de inteligência artificial e vai verificá-los nas próximas avaliações

O Instituto Português de Acreditação (IPAC) emitiu a Circular Clientes n.º 06/2026, dirigida a clientes e avaliadores, sobre o uso de inteligência artificial (IA) pelos organismos de avaliação da conformidade. O documento tem data de 22 de julho de 2026 e é assinado pelo presidente, Leopoldo Cortez.
O IPAC parte da constatação de que as entidades acreditadas estão ou estarão a experienciar esta mudança, e centra as suas preocupações nos sistemas de IA que intervenham no processo de avaliação da conformidade, bem como naqueles que tenham impacto nos requisitos de acreditação. Recomenda a leitura da norma ISO/IEC 22989.
Os princípios organizam-se em quatro capítulos. Em Gestão, a adoção de IA não pode ser uma decisão individual, tem de haver responsabilidade e autoridade definidas e comunicadas, competência assegurada de quem a usa, avaliação de impacto dos riscos com documentação da respetiva mitigação, e inclusão do tema nas auditorias internas e na revisão pela direção. Em Correção, Imparcialidade e Não-discriminação, exige-se um processo que supervisione a legalidade e a ausência de enviesamento dos resultados, capacidade de demonstrar a validade dos sistemas usados, recurso ao controlo de trabalho não conforme sempre que se detetem desvios, incluindo a interrupção do uso de IA se necessário, e validação de todas as atualizações feitas ao sistema. Em Confidencialidade e Segurança, exige-se demonstração do cumprimento dos requisitos de confidencialidade, incluindo na fase de treino do sistema, disposições sobre segurança física e cibersegurança, e autorização do cliente para o uso da sua informação proprietária. Em Transparência, as entidades devem informar os clientes atuais e potenciais do recurso a IA, da sua extensão e dos controlos implementados, e tratar eventuais reclamações sobre o assunto.
O IPAC esclarece que estes princípios não são requisitos adicionais e que não devem ser alocadas não conformidades face a eles. Mas acrescenta que podem ajudar a interpretar requisitos que já existem, e dá o exemplo que fecha a porta a qualquer atalho: várias normas de acreditação exigem requisitos de competência para o pessoal que toma decisões de avaliação da conformidade, logo essas decisões não podem ser delegadas na IA.
Fica ainda um dever de comunicação. As entidades que já usem IA para implementar quaisquer requisitos de acreditação devem informar de imediato o respetivo Gestor de Processo, indicando em que processos, de que forma e com que impacto previsível ou real nos resultados. As que planeiem vir a usar devem comunicá-lo com a antecedência necessária face à próxima avaliação planeada, para que o IPAC possa fazer ajustamentos e dispensar uma visita posterior.
LEITURA MEDSUPPORT
A parte que obriga não são os princípios, é o dever de comunicar. Quem já usa IA em qualquer requisito de acreditação tem de informar de imediato o Gestor de Processo, dizendo em que processos e com que impacto. Quem tenciona vir a usar tem de o dizer antes da próxima avaliação. E há uma linha que fecha a porta a qualquer atalho: as decisões de avaliação da conformidade exigem competência do pessoal, logo não podem ser delegadas na IA.
Fonte: IPAC
CERTIFICAÇÃO
IPO de Coimbra alcança o nível Gold da certificação internacional em Cardio-Oncologia

O Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra obteve a certificação como Centro de Excelência em Cardio-Oncologia, nível Gold, a distinção mais elevada atribuída pela International Cardio-Oncology Society (IC-OS).
A Cardio-Oncologia procura conciliar a eficácia dos tratamentos oncológicos com a segurança cardiovascular, através da prevenção, avaliação de risco, diagnóstico, monitorização e tratamento das complicações associadas à doença ou às terapêuticas utilizadas. O Serviço de Cardiologia do IPO de Coimbra conta com uma equipa dedicada a esta área, composta por três cardiologistas e cinco técnicas de cardiopneumologia.
Segundo a instituição, a certificação reconhece a existência de uma estrutura assistencial diferenciada e traduz o investimento feito em investigação, produção científica e formação contínua dos profissionais. O comunicado destaca ainda a certificação individual em Cardio-Oncologia obtida em 2025 pela cardiologista Catarina Neves, atribuída pela IC-OS e pela Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), e agradece ao Conselho de Administração pelo apoio institucional e ao Gabinete da Qualidade pelo acompanhamento técnico do processo.
LEITURA MEDSUPPORT
Fica o cumprimento à equipa do IPO de Coimbra, e ao Gabinete da Qualidade que o comunicado faz questão de referir. Uma distinção destas é justa e é recompensadora, e ninguém que já passou por um processo de avaliação externa acha o contrário. Mas vale a pena separar as duas coisas que costumam andar juntas. O certificado é o reconhecimento; o que produz resultado é o sistema que existe por baixo dele, a organização dos processos, os registos que se conseguem encontrar, o hábito de rever o que correu mal e corrigir. Esses benefícios chegam à unidade muito antes de haver avaliador, e ficam mesmo que nunca se chegue a candidatar a nada. Uma unidade que implementa o sistema e nunca se certifica ganhou quase tudo. Uma que persegue o certificado sem o sistema não ganhou nada.
Fontes: SNS · Diário de Coimbra · Campeão das Províncias
INFARMED
INFARMED determina a recolha de um lote de Salofalk e suspende a sua comercialização

O INFARMED divulgou a recolha do lote L25428A, com validade até novembro de 2029, do medicamento Salofalk, Messalazina 3000 mg, granulado gastrorresistente de libertação prolongada, com o número de registo 5398433 na embalagem de 60 saquetas. A recolha é feita pela empresa Dr. Falk Pharma Portugal, e o motivo é a deteção de um desvio relacionado com a serialização do lote.
A autoridade determinou a suspensão imediata da comercialização deste lote. As entidades que o tenham em stock não o podem vender, dispensar nem administrar, e devem proceder à sua devolução.
Quanto a quem está a fazer o tratamento, a orientação é clara: não interromper. Os utentes devem contactar o médico logo que possível, para que este avalie a necessidade de substituição por um medicamento alternativo.
A decisão consta da Circular Informativa n.º 085/CD/550.20.001, de 28 de agosto de 2026, assinada pelo Conselho Diretivo, e foi divulgada a 1 de setembro.
LEITURA MEDSUPPORT
Uma recolha só chega ao fim quando alguém, do lado de cá, vai à prateleira confirmar o lote. Vale a pena saber quem, na sua unidade, recebe estes avisos e o que faz com eles, porque a resposta costuma ser menos clara do que parece.
Fonte: INFARMED
COMPORTAMENTO DOS UTENTES
Amamentação exclusiva associada a menos genes de resistência a antibióticos nos bebés

Um estudo liderado por investigadores espanhóis, publicado na revista Cell Reports Medicine, associa a amamentação exclusiva a uma menor abundância e diversidade de genes de resistência aos antibióticos no intestino dos bebés durante os primeiros meses de vida.
O trabalho é coordenado pelo Instituto de Agroquímica e Tecnologia dos Alimentos, do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), e identifica o papel dos oligossacarídeos do leite humano (HMO) na formação precoce do conjunto de genes de resistência antimicrobiana do intestino infantil. Os HMO são o terceiro componente mais abundante do leite materno e não são digeridos pelo bebé: alimentam bactérias benéficas, favorecendo o seu crescimento. A quantidade e o tipo destes compostos variam entre mães e dependem em parte de uma característica genética conhecida como estado secretor, ligada ao gene FUT2.
A equipa analisou amostras fecais de 57 bebés com um mês de idade, da coorte MAMI, na Comunidade Valenciana, mais amostras de leite das mães, e validou os resultados numa coorte dos Países Baixos com 199 bebés. A análise mostrou que o tipo de parto e a alimentação são fatores determinantes: os bebés nascidos por cesariana apresentaram diferenças na diversidade destes genes face aos nascidos por parto vaginal.
É um estudo observacional. Mostra associação e não prova relação causal. Os próprios investigadores sublinham que são necessários estudos longitudinais mais extensos para compreender os mecanismos e perceber até que ponto é possível intervir sobre eles.
Fonte: CNN Portugal
CANAL MEDSUPPORT
A MedSUPPORT.News no seu telemóvel

No Canal MedSUPPORT ficam os temas de cada edição antes da newsletter chegar ao email. E é lá que pode dizer o que pensa, partilhar a experiência da sua unidade e colocar as suas reflexões.
Instala-se como aplicação: fica com o ícone entre as suas apps e recebe aviso quando a edição sai.
Cinco passos, uma vez só:
1. Toque no botão em baixo, a partir do telemóvel.
2. Introduza o email onde recebe esta edição.
3. Receberá um código de 6 dígitos por email. Introduza-o.
4. Aparece "Instalar aplicação", toque em Instalar.
5. Agora já pode personalizar o seu perfil. Já está.

Obrigado por ler a medsupport.news.
A equipa da MedSUPPORT
p.s. Conhece alguém que gere uma unidade de saúde e a quem esta edição seria útil? Reencaminhe-lha. A subscrição é gratuita em medsupport.news.



