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NOTÍCIAS DO DIA

MEDICINA DENTÁRIA

Coroas de zircónia impressas em 3D podem chegar ao consultório no próprio dia

Uma equipa da University of Texas at Dallas desenvolveu um método que reduz para menos de 30 minutos uma das etapas mais demoradas do processamento de restaurações de zircónia impressas em 3D. Essa etapa — o debinding, em que se removem por aquecimento os componentes orgânicos que seguraram as partículas durante a impressão — demora atualmente entre 20 e 100 horas.

O aquecimento tem de ser lento porque os polímeros em decomposição libertam gases que, se não escaparem, fissuram ou fraturam a peça. A solução dos investigadores combina uma transferência de calor mais eficiente com um feltro de grafite poroso, que suporta temperaturas acima dos 1.400 °C, envolve a restauração e deixa sair os gases, enquanto um sistema de vácuo os remove.

A zircónia é o material de referência para restaurações permanentes pela resistência e durabilidade. Hoje, as coroas de zircónia feitas no próprio dia obtêm-se por fresagem CAD/CAM a partir de blocos pré-fabricados; as que são impressas em 3D no consultório usam resinas cerâmicas menos resistentes. A impressão em zircónia daria maior liberdade de desenho, melhor correspondência de cor e menos desperdício de material, e poderia estender-se a pontes, facetas e outras restaurações cerâmicas.

Falta validação clínica, avaliação de desempenho a longo prazo e aprovação regulamentar antes de chegar aos consultórios. O trabalho foi publicado na revista Ceramics International, na edição de setembro de 2025, e a comercialização está a ser preparada com parceiros industriais e laboratoriais, com apoio da National Science Foundation (NSF).

Assinalamos a data: não é uma novidade desta semana, é uma linha de investigação com quase um ano. Entra aqui pelo que significa para quem decide equipamento — se a impressão de zircónia no consultório amadurecer, muda o cálculo de investimento entre fresagem e impressão, e muda a relação com o laboratório de prótese.

GESTÃO DE UNIDADES

Clínica de fertilidade em Cascais declara insolvência e fecha de um dia para o outro

A Ovom Care, clínica de procriação medicamente assistida (PMA) sediada em Cascais e aberta em 2025 com financiamento de capital de risco, foi declarada insolvente por sentença do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste a 25 de agosto. A gestão e a liquidação passaram para um gestor de insolvências e foi fixado um prazo de 30 dias para reclamação de créditos. As utentes souberam na sexta-feira seguinte, ao fim da tarde.

O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) só foi informado a 27 de agosto, dois dias depois da sentença, e pelo gestor de insolvência. O seu presidente, Carlos Calhaz Jorge, professor catedrático de obstetrícia e ginecologia, afirma ao Diário de Notícias que a situação é inédita em vinte anos de PMA em Portugal e sublinha que a lei prevê que uma clínica de fertilidade que encerre a atividade dê conhecimento ao Ministério da Saúde com seis meses de antecedência. A Ovom fechou sem avisar utentes nem, segundo o jornal apurou, a própria equipa clínica.

Há um segundo mecanismo que a lei impõe e que também não foi acionado pela via devida. Luís Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, explica que qualquer clínica de fertilidade tem de ter, desde a abertura, um protocolo com outra unidade que garanta a transferência de embriões e gâmetas em caso de acidente ou de cessação. As utentes receberam uma mensagem na aplicação da clínica a informar que o material seria transferido para outra unidade em Lisboa, sem qualquer justificação — e a transferência só pode ocorrer com autorização do regulador e mediante o envio formal da documentação clínica pela clínica de origem, o que estava por fazer. Segundo o diretor da unidade recetora, há 220 gâmetas e embriões para transferir e oito situações que exigem procedimentos a breve prazo.

Acresce o modelo comercial: a maioria das utentes pagou a totalidade dos pacotes à cabeça, prática que vários especialistas dizem ao jornal não ser comum no setor em Portugal. Com a insolvência, esses valores passam a créditos a reclamar.

A leitura que fazemos é esta, e vale para qualquer tipologia, não só para a PMA: o encerramento de uma unidade licenciada é um ato regulado, não um ato de gestão privada. Quem gere tem obrigações de comunicação prévia, de continuidade de cuidados e de entrega de informação clínica que se mantêm intactas mesmo — sobretudo — quando a empresa deixa de ter dinheiro. Vale a pena saber, hoje e não no dia, quem é a unidade de destino dos seus processos e materiais, quem tem de ser avisado e com que antecedência, e onde está a documentação que teria de seguir com eles.

ERS

ERS publica a 15.ª edição dos Direitos e Deveres dos Utentes e atualiza perguntas frequentes

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) publicou a 15.ª edição da publicação "Direitos e Deveres dos Utentes dos Serviços de Saúde" e atualizou dois conjuntos de perguntas frequentes: o do Registo Nacional de Utentes (RNU) e inscrição nos cuidados de saúde primários, e o do acesso de cidadãos estrangeiros à prestação de cuidados no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

As atualizações decorrem da publicação do Despacho n.º 3118/2026, de 11 de março, que alterou o quadro normativo em vigor e introduziu alterações ao regime do RNU.

A publicação é o documento de referência com que a ERS comunica aos utentes o que podem exigir de um prestador — e é, por isso, o texto pelo qual as unidades acabam por ser medidas quando surge uma reclamação. Quem gere ganha em ler a edição nova pelo avesso: não como uma lista de direitos dos utentes, mas como a lista do que a sua unidade tem de conseguir demonstrar. O documento fica em anexo, transferível.

Fonte: ERS

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Direitos e Deveres dos Utentes dos Serviços de Saúde — 15.ª edição, ERS

Publicação da Entidade Reguladora da Saúde que compila os direitos e deveres dos utentes dos serviços de saúde, na sua 15.ª edição.

1.99 MB File

OMS

Ébola na República Democrática do Congo mantém-se emergência de saúde pública internacional

O Comité de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) reuniu a 18 de agosto e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou que a epidemia de ébola por vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo continua a constituir uma emergência de saúde pública de âmbito internacional, sem cumprir os critérios de emergência pandémica. O relatório da reunião foi publicado a 28 de agosto.

Os números do documento: a 18 de agosto estavam notificados cerca de 5.000 casos, mas a triangulação de métodos aponta para uma epidemia real três a quatro vezes maior do que a vigilância capta. A letalidade bruta situava-se em aproximadamente 46% a 12 de agosto, depois de ter parecido rondar os 20% no início, quando o numerador não incluía várias mortes de casos sob investigação. A presença do vírus passou de três zonas sanitárias em maio para 55 em agosto, 49 com transmissão ativa. O Uganda controlou a transmissão, sem casos novos desde 16 de julho.

Para leitores europeus, o ponto está num parágrafo discreto: o único caso importado detetado em França não deu origem a transmissão secundária, e as estimativas de propagação para fora de África mantêm-se muito baixas. O que fez a diferença nesse caso foi aquilo que faz sempre — deteção precoce e isolamento. O comité coloca o controlo de infeção entre as prioridades que exigem escalada imediata, e não apenas nos centros de tratamento: também nas restantes unidades de saúde.

É a leitura que interessa a quem gere uma unidade em Portugal, e é nossa: o risco direto é remoto, mas o mecanismo de defesa não é a distância geográfica — é a triagem à entrada e a capacidade de isolar alguém antes de saber o que tem. Isso não se improvisa quando aparece.

COMPORTAMENTO DOS UTENTES

Homens veem os programas de dieta como espaços femininos, e isso trava a adesão

Um estudo da Anglia Ruskin University, em Inglaterra, publicado na revista com revisão por pares PLOS One, procurou perceber por que motivo os homens têm mais dificuldade em manter programas de perda de peso. A conclusão principal não é sobre nutrição: é sobre pertença. Os participantes descreviam a cultura da dieta como um espaço associado ao feminino, pela imagem e pelo discurso centrados na estética, e reagiam mal ao caráter restritivo e de solução rápida dos programas — a própria palavra "dieta" surgia como negativa, imediatamente ligada a restrição.

O segundo achado é o que tem consequência prática: quando existe apoio próximo — uma parceira envolvida, ou um mentor com experiência em quem confiar —, as perceções tornam-se menos problemáticas e a motivação aguenta os primeiros obstáculos. Elementos de competição e de interação social também aumentavam a eficácia. Justin Roberts, professor de fisiologia nutricional e coautor, defende que uma avaliação precoce destes pontos aumenta a probabilidade de benefícios duradouros.

É um estudo qualitativo, com um pequeno grupo de discussão de homens a partir dos 30 anos, na maioria brancos, casados e com formação superior. Os autores assumem o viés de seleção. Não mede eficácia nem permite generalizar à população.

Fica aqui pelo ângulo do perfil de quem procura — ou não procura — cuidados. A adesão a um plano proposto numa consulta depende menos da qualidade do plano do que de a pessoa se rever nele e ter alguém ao lado. Vale para a perda de peso e vale para a higiene oral, a fisioterapia ou a reabilitação: quem acompanha o utente à consulta faz parte do plano, e raramente é tratado como tal.

Fontes: Euronews · PLOS One

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