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NOTÍCIAS DO DIA

INFARMED

INFARMED manda recolher lote de Meropenem por não conformidade no fabrico

O Infarmed determinou a recolha do lote 2MI24058A, com prazo de validade a 30 de junho de 2027, do medicamento Meropenem Aurovitas 500 mg, pó para solução injetável ou para perfusão, embalagem de dez frascos de 30 ml, n.º de registo 5671623. O titular da autorização de introdução no mercado é a Eugia Pharma (Malta) Limited, representada em Portugal pela Generis Farmacêutica.

O motivo são situações não conformes identificadas no fabrico da substância ativa do medicamento. O Infarmed determinou também a suspensão imediata da distribuição.

A instrução para quem tem o produto é direta: as entidades que possuam este lote em stock não o podem vender, dispensar nem administrar, devendo proceder à sua devolução. A circular está endereçada a hospitais, administrações regionais de saúde, ordens e associações profissionais e distribuidores por grosso de medicamentos.

O meropenem é um antibiótico carbapenémico de uso hospitalar, reservado a infeções graves e a estirpes resistentes a outras famílias. Interessa sobretudo a unidades com internamento e a unidades de cirurgia de ambulatório com stock próprio de injetáveis — e a leitura que fazemos é a de sempre: uma recolha só funciona se alguém, do lado de cá, for efetivamente verificar o número de lote na prateleira. Vale a pena confirmar que a circular chegou a quem faz essa verificação, e não apenas à caixa de correio geral.

Fonte: INFARMED

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Circular Informativa n.º 084/CD/550.20.001, de 24 de agosto de 2026 — INFARMED

Circular Informativa que determina a recolha do lote 2MI24058A do medicamento Meropenem Aurovitas 500 mg e a suspensão imediata da sua distribuição.

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LITERACIA EM SAÚDE

Fadiga de segurança: quando são tantos os avisos que se deixa de ouvir os que importam

Edith Bracho-Sanchez, pediatra de cuidados primários no Centro Médico Irving da Universidade de Columbia, descreve num artigo de opinião um fenómeno a que chama fadiga de segurança: o que acontece quando o volume de avisos — reais e exagerados, urgentes e insignificantes — se torna tão alto que se perde a capacidade de os distinguir, e se começa a ignorar todos, incluindo os que importam.

O exemplo que abre o texto é o de um bombeiro que, num vídeo, explica que dormir com a porta do quarto fechada protege as crianças em caso de incêndio. O aviso é verdadeiro: uma porta fechada mantém a divisão dezenas de graus mais fresca e menos tóxica durante um incêndio doméstico. Também é verdade que é raro um incêndio atingir o quarto de uma criança enquanto ela lá dorme. É aí que está a armadilha: um conselho de segurança pode ser rigorosamente correto e, ainda assim, não ser aquilo com que mais se deve preocupar.

A explicação tem nome. Os psicólogos chamam-lhe heurística da disponibilidade: avaliamos a probabilidade de um acontecimento não pela sua verosimilhança, mas pela facilidade com que nos lembramos de um exemplo. Um vídeo dramático fixa-se; uma estatística não. E assim o incêndio raro desvia a atenção do que é mundano e muito mais provável — a cadeira auto mal instalada, a piscina sem vedação.

Há ainda um problema de quem fala. Investigadores que analisaram o conteúdo de maior sucesso no TikTok nas áreas da parentalidade natural e do bem-estar concluíram que a maioria das alegações de saúde nesses vídeos era enganosa e que 80% dessa desinformação vinha de outros pais e de influenciadores, não de profissionais de saúde. O algoritmo está otimizado para o envolvimento, não para a precisão — e o medo é extremamente envolvente.

A autora dá aos pais que atende um critério simples, que serve para qualquer utente: verificar quem está a falar, e não apenas o que está a dizer. Há alguém com conhecimento especializado e algo a perder se estiver errado? Há referência bibliográfica, ou apenas um aviso e uma banda sonora?

Para quem gere uma unidade, a consequência é esta, e é leitura nossa: o aviso que se dá em consulta não está a competir com o silêncio — está a competir com doze alertas virais dessa semana. Quando tudo é urgente, nada é. Escolher poucas mensagens, repeti-las e explicar porque foram escolhidas vale mais do que acrescentar mais uma à pilha.

CARDIOLOGIA

Mais de metade dos adultos tem aterosclerose sem o saber

Um estudo do Centro Nacional de Investigação Cardiovascular Carlos III (CNIC), em Espanha, e do Rigshospitalet, na Dinamarca, avaliou 16 808 pessoas entre os 18 e os 70 anos, todas sem antecedentes conhecidos de doença cardiovascular. Concluiu que 57,1% já apresentavam placas de aterosclerose, sem qualquer sintoma e sem diagnóstico prévio. Os resultados foram apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia e publicados no New England Journal of Medicine.

A progressão com a idade é acentuada: aproximadamente uma em cada treze pessoas entre os 18 e os 29 anos já tinha aterosclerose numa artéria, proporção que sobe até nove em cada dez entre os 60 e os 70. Nos homens, o perfil aterosclerótico surgia cinco a dez anos mais cedo do que nas mulheres, e nestas o aumento mais acentuado observou-se entre os 40 e os 60 anos.

A conclusão com consequências práticas é outra: a maioria das pessoas com aterosclerose nas coronárias também a tem nas artérias carótidas ou femorais. E essas avaliam-se por ecografia, que é mais fácil, rápida e não invasiva. Borja Ibáñez, um dos autores, afirma que no paradigma que propõem os ecógrafos portáteis, utilizáveis por qualquer profissional de saúde, passarão a ser implementados como padrão no rastreio cardiovascular desde fases iniciais da vida.

Os investigadores avaliaram os participantes com imagiologia avançada das artérias carótidas, femorais e coronárias, e recolheram ainda fatores de risco, biomarcadores, amostras para estudos ómicos e imagens da retina. O trabalho insere-se na primeira fase do projeto REACT, cuja segunda fase, prevista para 2027 a 2032 e dependente de financiamento, será o ensaio aleatorizado que testará se uma prevenção orientada por imagem reduz enfartes e acidentes vasculares cerebrais melhor do que o modelo atual, baseado em fatores de risco.

É a esse ponto que vale a pena estar atento: se o rastreio cardiovascular migrar da estimativa de risco para a deteção direta por ecografia, muda o equipamento, muda a formação de quem o opera e muda o tipo de consulta que os utentes vão procurar.

MEDICINA DENTÁRIA

Ensaio de fase III trava cárie em crianças com uma solução líquida, sem broca nem anestesia

Um ensaio clínico aleatorizado de fase III conduzido pela Universidade de Michigan, publicado na JAMA Pediatrics, testou a aplicação de fluoreto diamino de prata a 38% em 830 crianças com menos de seis anos com cárie precoce da infância. A aplicação demora cerca de um minuto, com um pincel, e não exige broca nem anestesia.

Aos seis meses, 54% das lesões tratadas tinham deixado de progredir, contra 22,5% no grupo de controlo. A diferença é substancial, mas o número que interessa ler ao lado é o outro: quase metade das lesões tratadas não parou. Não é um substituto universal do tratamento restaurador — é uma opção adicional, sobretudo onde o acesso a cuidados é difícil ou onde a colaboração da criança é limitada.

A limitação conhecida da técnica mantém-se: o produto escurece de forma permanente a zona da lesão que trava, o que condiciona a sua aceitação em dentes visíveis.

Assinalamos que se trata de investigação, ainda não de prática corrente em Portugal. Entra aqui pelo que representa: uma linha de tratamento de baixo custo e baixa complexidade para uma patologia que continua a ser a mais prevalente na infância.

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