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ORDEM DOS MÉDICOS

Ordem dos Médicos saúda os CAMP e avisa: não basta legislar

Dois dias depois de noticiarmos a Portaria n.º 377/2026/1, que cria os Centros de Avaliação Médica e Psicológica (CAMP) nas Unidades Locais de Saúde (ULS), a Ordem dos Médicos veio saudar a publicação e dizer que corresponde à posição que transmitiu ao Ministério da Saúde.

O argumento da Ordem é o mesmo que a portaria invoca: as avaliações necessárias à emissão de determinados atestados devem ser asseguradas em estruturas organizadas, com os profissionais e os meios necessários, e a nova organização liberta os cuidados de saúde primários de atividade que ocupa tempo destinado à assistência.

Mas o comunicado insiste sobretudo no que ainda não existe. A legislação prevê que a iniciativa parta das próprias ULS, mediante estudo próprio e parecer favorável da Direção Executiva do SNS — e a Ordem considera essencial que esse processo seja acompanhado de perto e não fique preso em sucessivas etapas administrativas. Carlos Cortes, bastonário, resume-o dizendo que não basta legislar e que é agora necessário fazer acontecer, com rapidez, rigor e recursos adequados. A Ordem defende ainda que a implementação seja monitorizada desde o início, avaliando tempos de resposta, acessibilidade, qualidade das avaliações e experiência de quem recorre a estes centros.

Para quem gere uma unidade privada que emite atestados, é esta a informação útil, e assinalamo-la como leitura nossa: o calendário não está definido em lado nenhum. Depende de cada ULS decidir avançar, elaborar o estudo e obter parecer. A própria Ordem admite o risco de a solução demorar meses ou anos a chegar às pessoas. O efeito no mercado existe, mas não é imediato nem uniforme — e isso dá tempo para perceber o peso desta receita na sua unidade.

CONTROLO DE INFEÇÃO

Hospital Termal das Caldas da Rainha fechado desde 20 de agosto por colónia de pseudomonas

O Hospital Termal das Caldas da Rainha está encerrado aos tratamentos termais desde 20 de agosto. Uma análise de rotina aos circuitos da água termal, realizada pela Unidade de Saúde Pública, revelou uma colónia da bactéria pseudomonas na Central Técnica da unidade, a jusante das captações.

A Câmara das Caldas da Rainha, responsável pelo património termal do concelho, sublinha que a bactéria foi detetada apenas na Central Técnica e não nos furos de captação de água, na Mata Rainha D. Leonor, e garante que não está em causa a saúde de quem frequenta as termas. A contaminação poderá estar relacionada com intervenções técnicas iniciadas a 5 de agosto para substituir a bomba submersível do furo AC2, que apresentava anomalias — à data das análises, a unidade já estava encerrada por causa dessa avaria. Os utentes com marcações foram avisados da necessidade de reagendamento, e o hospital só reabrirá depois de repetidas todas as análises laboratoriais.

O que dá a esta notícia o seu verdadeiro peso é o histórico. Antes da concessão à autarquia, em 2015, a unidade foi encerrada várias vezes: a mais prolongada em 1997, com os tratamentos suspensos durante três anos e meio, precisamente por presença de pseudomonas nas canalizações. Houve novas suspensões em 2004, 2005, 2009 e 2012. Em 2016, já sob gestão camarária, foi executada uma rede de distribuição de água termal totalmente independente, substituindo as canalizações antigas para evitar novas contaminações.

A leitura para quem gere uma unidade de saúde é nossa, e é esta: a contaminação não apareceu numa reclamação nem num utente doente — apareceu numa análise de rotina. E surgiu, muito provavelmente, na sequência de uma intervenção técnica num circuito de água. Obra e manutenção mexem em sistemas que estavam estáveis, e é depois delas que a verificação tem de acontecer, não antes. Vale para circuitos de água, para autoclaves e para tudo o que se abre e volta a fechar.

TESTEMUNHO DA SEMANA

Temos tido uma excelente experiência com a MedSUPPORT. A equipa demonstra profissionalismo e atenção às nossas necessidades. Destaco a qualidade do serviço e rapidez na resposta às solicitações. É um parceiro fiável que acrescenta valor ao nosso dia a dia.

Sr.ª Andreia Teixeira · Mendes & Moura Dentária, Lda. · Porto

SAÚDE PÚBLICA

Alemanha: dois mortos por malária em trabalhadores de aeroporto que nunca viajaram

Seis funcionários do aeroporto de Frankfurt contraíram malária e dois morreram — o primeiro em julho, com a causa da morte inicialmente por esclarecer, e o segundo já em agosto. As autoridades de saúde pública alemãs confirmaram esta semana os dois óbitos. Os restantes quatro estiveram hospitalizados e recuperaram.

Nenhum dos infetados tinha viajado recentemente para países onde a malária é endémica. A hipótese considerada mais provável pelo Instituto Robert Koch é a de um mosquito Anopheles infetado transportado numa aeronave vinda de uma zona endémica — o fenómeno que os especialistas designam por "malária de aeroporto". Os primeiros doentes adoeceram entre 4 e 6 de julho.

As autoridades sublinham que o risco para a população é considerado muito baixo, porque a doença não se transmite de pessoa para pessoa: exige sempre um mosquito competente. Foram instaladas armadilhas no aeroporto e os insetos capturados estão a ser analisados em laboratório para determinar espécie e origem. A concessionária forneceu informação a todos os funcionários e aconselhou-os a procurar um médico caso desenvolvam sintomas — e, sobretudo, a dizer ao médico que trabalham no aeroporto.

É aí que está a lição transponível, e é leitura nossa: um quadro febril inespecífico num utente sem história de viagem raramente faz alguém pensar em malária. O que resolveu estes casos não foi um exame diferente, foi a pergunta certa — onde trabalha esta pessoa. O contexto ocupacional e residencial faz parte da anamnese e é, muitas vezes, o que separa um diagnóstico tardio de um atempado.

SAÚDE DA MULHER

Terapia hormonal na menopausa associada a menor risco de demência em 183 mil mulheres

Um estudo publicado na revista Alzheimer's & Dementia associou o recurso a terapia hormonal de substituição na menopausa a um menor risco de demência. Mulheres que usaram esta terapia durante pelo menos um ano tiveram cerca de 10% menos probabilidade de desenvolver demência de qualquer tipo e 16% menos de desenvolver doença de Alzheimer, comparadas com quem nunca a usou.

É um estudo observacional, baseado em dados de 183 450 mulheres pós-menopáusicas do UK Biobank seguidas em média durante 13,3 anos. Não demonstra relação de causa e efeito — mostra uma associação entre quem usou a terapia e o que lhe aconteceu depois, o que não é o mesmo que provar que a terapia protege. A investigação é da Universidade de East Anglia e da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

O que os autores destacam é que o efeito não é uniforme. A redução foi maior nas mulheres que passaram por menopausa cirúrgica — cerca de 26% menos demência — e naquelas com menor exposição a estrogénio ao longo da vida, por menarca tardia ou menopausa precoce. A idade de início da terapia e o genótipo APOE4 também pesaram nos resultados. A investigadora principal, Anne-Marie Minihane, enquadra o interesse do tema: as mulheres representam quase dois terços dos casos de Alzheimer.

Duas notas, e são leitura nossa. A primeira: isto não é uma recomendação de prescrição. Um estudo observacional identifica subgrupos que merecem investigação, não decisões terapêuticas. A segunda liga-se à edição de ontem, sobre o guia da menopausa construído com valores de estudos feitos com homens: aqui temos o contrário — investigação de larga escala especificamente sobre mulheres, com subgrupos analisados. É a diferença entre extrapolar e estudar.

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