NOTÍCIAS DO DIA
LEGISLAÇÃO
SNS cria centros próprios para atestados de robustez — e entra num mercado que era dos privados

Foi publicada ontem em Diário da República a Portaria n.º 377/2026/1, que cria os Centros de Avaliação Médica e Psicológica (CAMP) nas Unidades Locais de Saúde (ULS) do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Entra em vigor hoje.
O objetivo declarado é interno ao SNS: a emissão de atestados médicos e psicológicos exigidos para fins jurídicos, sociais, fiscais e profissionais tem vindo, segundo a portaria, a absorver uma parte considerável da atividade dos cuidados de saúde primários e a condicionar a capacidade de resposta assistencial. Os CAMP libertam os centros de saúde dessa tarefa.
Mas o que a portaria descreve, do lado de fora, é outra coisa: uma resposta pública organizada para um serviço que hoje é receita corrente de muitas unidades privadas. A lista de finalidades é explícita — obtenção e renovação da carta de condução, licença de caçador, licença de uso e porte de arma, exercício de atividades náuticas, entre outras. É exatamente a carteira de atestados que consultórios e clínicas emitem todos os dias, boa parte deles já em modelo de videoconsulta.
Os CAMP integram médicos, psicólogos e técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, e asseguram o agendamento das consultas necessárias. A criação é de iniciativa de cada ULS, que tem de elaborar previamente um estudo de viabilidade e submetê-lo ao diretor executivo do SNS — cujo parecer favorável é condição necessária para a instalação e o funcionamento.
Duas leituras nossas, e assinalamo-las como tal. A primeira: a implementação será desigual no território, porque depende da iniciativa e da viabilidade demonstrada por cada ULS — quem opera numa região onde a ULS avance sentirá o efeito, quem opera noutra não. A segunda: um utente que possa obter o atestado no SNS onde está inscrito compara preço e conveniência de forma diferente. Vale a pena perceber que peso esta receita tem na sua unidade antes de o efeito chegar.
MEDICINA ESTÉTICA
Uma em cada cinco mulheres com procedimentos estéticos atinge o limiar de uso compulsivo

Entre as mulheres que se submeteram a procedimentos estéticos, 20% atingiram o limiar de risco moderado a grave de utilização problemática desses procedimentos ao longo da vida, e mais de 15% referiram sintomas ativos no último ano. No conjunto da amostra, quase 9% apresentaram sinais moderados a graves. Os fatores de risco mais fortes são a baixa autoestima corporal combinada com o uso problemático das redes sociais.
O estudo é transversal e os próprios autores sublinham que não permite determinar causa e efeito — não se sabe se o uso problemático das redes contribui para o comportamento, se são os procedimentos que influenciam a imagem corporal e o envolvimento online, ou se outros fatores psicológicos impulsionam ambos. Foi conduzido na Universidade Hebraica de Jerusalém e no Centro Israelita de Dependência e Saúde Mental, publicado no Journal of Health Psychology, e inquiriu 1614 mulheres entre os 25 e os 71 anos.
Tem uma particularidade metodológica que interessa: ao contrário de investigações anteriores, centradas em utentes de clínicas de estética, esta recrutou na população em geral. Ou seja, não descreve só quem já lá está.
Os investigadores são expressos ao dizer que não defendem que os procedimentos estéticos sejam prejudiciais em si, e que para muitas pessoas são uma experiência positiva. O que dizem é que, para uma minoria significativa, o envolvimento repetido pode assumir características semelhantes às de vícios comportamentais já reconhecidos.
Isto liga-se ao que noticiámos na edição 905, sobre o aumento de 43% na procura desde 2020 e o papel dos filtros. Ali estava a origem da procura; aqui está o que acontece a parte de quem entra no circuito. Para quem gere uma unidade que faz estes procedimentos, a consequência prática é a mesma que Pedro Melo descrevia então: o utente que insiste, que vai de porta em porta, não é necessariamente um utente informado — e a recusa clínica tem custo comercial.
Fonte: Notícias Saúde
DIABETES
Sexo e idade mudam a complicação que aparece primeiro na diabetes tipo 2

Um estudo publicado na revista PLOS Medicine analisou os registos clínicos anonimizados de 28 720 pessoas que desenvolveram diabetes tipo 2 entre 2010 e 2020, divididas em três grupos etários: dos 16 aos 39 anos, dos 40 aos 59 e a partir dos 60. A investigação é de centros do Reino Unido e baseia-se em registos clínicos, não num ensaio.
Nos anos seguintes ao diagnóstico, 39% dos participantes sofreram pelo menos uma complicação significativa — mas o tipo de complicação variou consoante o sexo e a idade. Nas mulheres, 8,1% desenvolveram uma perturbação de saúde mental, sobretudo ansiedade ou depressão, contra 5,3% dos homens. Nos homens, 8,4% tiveram como primeira complicação uma doença cardiovascular ou renal, contra 5,3% das mulheres.
As diferenças mantêm-se ao longo da evolução da doença. Depois de desenvolverem hipertensão, 13,6% dos homens acabaram por sofrer doença cardiovascular ou renal, face a 10,6% das mulheres. As perturbações mentais são as que surgem em idade mais precoce em ambos os sexos, em média aos 50 anos nas mulheres e aos 51 nos homens.
O dado mais duro é sobre mortalidade: a combinação de diabetes tipo 2 com uma perturbação de saúde mental antecipa acentuadamente a mortalidade prematura. Nas mulheres com mais de 60 anos que desenvolvem depressão como primeira complicação, a probabilidade de morrer nos primeiros seis anos é superior à de desenvolver qualquer outra complicação física.
Os autores defendem estratégias personalizadas que tenham em conta a idade e o sexo. Traduzido para o consultório: numa mulher jovem recém-diagnosticada, a perturbação de saúde mental é a complicação inicial mais provável — mais do que a hipertensão, que é a mais frequente em todos os outros grupos.
Fonte: CNN Portugal
MEDICINA DENTÁRIA
Congresso Mundial de Medicina Dentária da FDI decorre em setembro, em Praga

O Congresso Mundial de Medicina Dentária da FDI — World Dental Federation realiza-se de 4 a 7 de setembro, em Praga, na República Checa.
São quatro dias com programa científico, sessões de educação contínua acreditadas, fóruns temáticos e uma exposição do setor. Destina-se a profissionais, investigadores, estudantes, equipas clínicas e representantes da indústria.
As inscrições e o programa estão no sítio oficial do congresso.
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