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NOTÍCIAS DO DIA

DISPOSITIVOS MÉDICOS

França retira do mercado preservativos sem marcação CE e recomenda rastreio

A Direção-Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão de Fraudes (DGCCRF) e a Direção-Geral da Saúde francesa alertaram na passada sexta-feira para cerca de 30 referências de preservativos não conformes vendidos em França. Cerca de mil caixas — mais de 40 mil unidades — foram vendidas pela internet, sobretudo por distribuidores asiáticos, mas os produtos também podem ter chegado a lojas e a farmácias.

Os produtos visados não têm marcação CE nem foram sujeitos a qualquer avaliação de conformidade europeia e, na maioria, não trazem embalagem em língua francesa. Mais relevante: os controlos feitos em lojas e farmácias identificaram ainda duas referências que têm marcação CE e mesmo assim são não conformes — uma por risco de rebentamento, outra por apresentar perfurações. No total, cerca de 260 mil unidades foram objeto de recolhas iniciadas no final de maio e no início de agosto.

As autoridades recomendam a quem tenha usado estes produtos que faça rastreio de infeções sexualmente transmissíveis (IST) e teste de gravidez em caso de atraso menstrual. As plataformas online já retiraram 36 anúncios e várias comprometeram-se a rever os sistemas de verificação e as regras de filtragem para esta categoria.

Para quem gere uma unidade de saúde, o que interessa aqui não é o produto: é o mecanismo. Dispositivos adquiridos em plataformas online, sem marcação CE, sem instruções na língua do país — e, em dois casos, com marcação aposta sem conformidade real por trás. A DGCCRF recorda que a marcação europeia é o que garante que o fabricante respeitou as normas de segurança, e que antes de comprar se deve verificar a sua presença, a existência de instruções na língua nacional, o prazo de validade e o estado da embalagem. É exatamente a verificação que se aplica a qualquer consumível clínico comprado fora dos circuitos habituais.

Fonte: Euronews

MEDICINA ESTÉTICA

Filtros e redes sociais empurram cada vez mais jovens para procedimentos estéticos

A procura por procedimentos estéticos aumentou 43% desde 2020, segundo o Expresso, citado pela SIC Notícias. A aplicação de toxina botulínica e de ácido hialurónico está entre os procedimentos mais requisitados, e entre quem procura há cada vez mais jovens — incluindo menores.

Pedro Melo, da direção da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética, descreve utentes que vão de médico em médico à procura de quem lhes faça o que pedem, mesmo quando o pedido corresponde a um ideal de beleza inalcançável ou a um exagero que tornaria o rosto desarmónico; quando recusa, ouve com frequência que vão procurar outro. Horácio Zenha, presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética, nota que há pais que levam os filhos à clínica na esperança de que o médico os demova — e outros que apoiam a mudança e chegam a oferecê-la como presente de aniversário.

A explicação apontada são os filtros. Sofia Marques Ramalho, psicóloga e investigadora na área da imagem corporal, explica que a imagem filtrada se torna a referência de rosto ideal e cria uma discrepância entre o que o jovem vê na selfie e o que vê no espelho; refere ter acompanhado jovens que passaram a evitar encontros presenciais por saberem que o seu rosto é diferente do que projetam online. A pandemia agravou o fenómeno: com as interações a migrarem para o ecrã, os mais novos passaram horas por dia a confrontar-se com a própria cara e a reparar em pormenores que antes lhes escapavam.

Para quem gere uma unidade, isto tem uma consequência concreta: o utente que chega já decidido, com uma referência visual que não existe fora do filtro, é hoje uma parte significativa da procura — e recusar tem custo comercial imediato, porque ele vai mesmo procurar outro. Em abril, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) lançou com o INFARMED, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e a Direção-Geral do Consumidor a campanha "Não é só estética. É saúde", motivada pelo aumento de denúncias sobre procedimentos realizados por profissionais não habilitados.

APA

APA publica perguntas frequentes do novo sistema de resíduos de autocuidados

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) publicou na passada sexta-feira um documento de Perguntas Frequentes sobre o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Autocuidados de Saúde no Domicílio (SIGRASD).

O documento reúne esclarecimentos sobre os principais aspetos legais, operacionais e ambientais associados a este fluxo específico de resíduos, nomeadamente no âmbito da aplicação do princípio da responsabilidade alargada do produtor. Surge no âmbito da preparação da entrada em funcionamento do sistema de gestão licenciado à DIVERDE, e destina-se a produtores, distribuidores, utilizadores e demais intervenientes.

Falamos dos materiais que o utente usa em casa e que ninguém costuma reclamar como seus: agulhas, lancetas, canetas de insulina, tiras de teste. Quem acompanha utentes crónicos é, na prática, quem responde à pergunta sobre onde os pôr — e passa a haver um sistema com regras definidas para dar essa resposta.

Fonte: APA

faq_autocuidados.pdf

Perguntas Frequentes sobre o SIGRASD — APA, agosto de 2026

Esclarecimentos da APA sobre os aspetos legais, operacionais e ambientais do fluxo de resíduos de autocuidados de saúde no domicílio.

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PARENTALIDADE

Pais chegam à primeira consulta do recém-nascido com a osteopatia já marcada

As aplicações que registam as rotinas dos bebés multiplicam-se e conquistam sobretudo os pais mais novos. Os especialistas ouvidos pela CNN Portugal reconhecem a utilidade destas ferramentas nas primeiras semanas — controlar mamadas e fraldas quando é preciso confirmar se o bebé está a ganhar peso —, mas avisam que o excesso de registos desvia a atenção do essencial: observar a criança e responder aos seus sinais.

O pediatra Pedro Sampaio Nunes descreve pais que pesam as fraldas para registar o peso da urina, e nota uma inversão face ao que via há uns anos: hoje são os pais na casa dos 20 e dos 30 os mais ansiosos, não os de 40. A psicóloga Isa Silvestre acrescenta que o bebé chora e a primeira reação passou a ser abrir a aplicação à procura de um significado, o que mina a autoeficácia parental que se constrói com o tempo. Alerta ainda para o risco de exaustão parental associado ao excesso de controlo.

Mas o dado que mais diz respeito a quem gere uma unidade é outro. O mesmo pediatra conta que recebe pais na primeira consulta do recém-nascido já com consultas de osteopatia e de ortodontia marcadas antes de o bebé nascer, para aliviar tensões e avaliar o freio da língua — e observa que nunca se cortaram tantos freios como agora. Aponta o excesso de informação não filtrada nas redes e nos grupos de WhatsApp, mas também responsabiliza parte dos colegas: médicos menos confiantes que alimentam esta procura.

É procura induzida antes de qualquer avaliação clínica. O utente já não chega com uma dúvida: chega com uma marcação.

ONCOLOGIA

Japão começa a vender o primeiro medicamento com vírus contra o cancro do esófago

Começou a ser comercializado na passada sexta-feira no Japão o primeiro tratamento de viroterapia contra o cancro do esófago, que utiliza um vírus modificado em laboratório para atacar e infetar células cancerígenas. O medicamento chama-se Telomelysin e é comercializado pela empresa japonesa Oncolys BioPharma.

Segundo o comunicado da empresa, o produto está aprovado para doentes com cancro do esófago que não são candidatos a cirurgia curativa nem a quimioterapia ou radioterapia, surgindo como opção a par das terapias convencionais. As autoridades japonesas aprovaram-no em junho. O vírus foi desenvolvido pelo investigador Toshiyoshi Fujiwara, da Universidade de Okayama.

O medicamento está em produção desde 2004 e terá um preço de cerca de 50 mil euros por doente.

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