NOTÍCIAS DO DIA
ADSE
ADSE fechou 2025 com 171,5 milhões de euros de saldo positivo

A ADSE registou no ano passado um saldo orçamental positivo de 171,5 milhões de euros, uma redução de 1,3% face a 2024. Se este subsistema público fosse uma seguradora, seria a mais rentável do mercado português — a leitura é do Jornal Económico, citado pela CNN Portugal, que descreve um regime que acumula excedentes apesar de oferecer um serviço limitado.
A comparação faz-se com os líderes do mercado dos seguros de saúde em Portugal: a Fidelidade, através da Multicare, e a Ageas, através da Médis, que representavam em conjunto 61,6% do mercado em 2025. A primeira lucrou 21 milhões de euros, a segunda 25,6 milhões. Numa extrapolação feita pelo próprio jornal, a ADSE lucra mais cerca de 45% do que todo este setor.
Para quem gere uma unidade de saúde convencionada, o dado interessa por uma razão prática: a ADSE e estas duas seguradoras são, no conjunto, quem paga uma parte significativa da atividade. A situação financeira de um financiador é o pano de fundo em que se discutem tabelas, prazos de pagamento e condições de convenção.
Fonte: CNN Portugal
SAÚDE PÚBLICA
Morte de criança não vacinada em Itália traz a difteria de volta à agenda europeia

Uma menina de quatro anos morreu durante a noite no Ospedale dei Bambini, em Palermo. A principal hipótese é que a causa do óbito tenha sido a difteria, uma doença infeciosa hoje rara em Itália, mas potencialmente letal. A criança não estava vacinada.
Tinha dado entrada na noite de sábado no hospital Cervello, em Palermo, já em estado muito grave. Foi entubada e, dada a gravidade do quadro clínico, acabou transferida para a unidade de cuidados intensivos do Ospedale dei Bambini, onde viria a morrer. A Procuradoria apreendeu o corpo e ordenou a autópsia, para apurar as causas da morte e verificar também os procedimentos seguidos pelo hospital.
O caso reabre uma distinção que raramente é clara para quem não trabalha com o tema: uma coisa é a vacina constar do calendário nacional, outra é ser juridicamente obrigatória. A vacinação contra a difteria está incluída no calendário de todos os países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu; a obrigatoriedade, essa, varia consoante a legislação de cada Estado. Em França, por exemplo, a vacinação contra a difteria, o tétano e a poliomielite é obrigatória para as crianças nascidas a partir de 1 de janeiro de 2018. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) disponibiliza um calendário comparativo atualizado com as políticas de cada país.
Fonte: Euronews
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NUTRIÇÃO
TikTok molda o que os adolescentes comem — e os pais contam mais do que parece

Um estudo com adolescentes de 15 e 16 anos concluiu que os conteúdos sobre comida no TikTok despertam desejos, incentivam a experimentar novos alimentos e, em alguns casos, influenciam a forma de comer, numa tentativa de imitar influenciadores. Trata-se de um estudo qualitativo e exploratório, com 25 participantes, publicado no Journal of Nutrition Education and Behavior: descreve perceções de adolescentes, não mede efeitos nem demonstra qualquer relação de causa e efeito.
Os participantes descreveram um ambiente em que tendências, anúncios, receitas, avaliações de restaurantes e conteúdos de influenciadores transformam depressa a curiosidade em apetite. O algoritmo pesa: as escolhas dependiam do que lhes aparecia na página personalizada e a exposição repetida alterava a perceção — um participante referiu ver tanta comida rápida que deixou de a considerar pouco saudável. E a fronteira entre publicidade e entretenimento é ténue: um vídeo sobre comida tanto pode ser um anúncio de marca como uma receita viral.
A conclusão mais útil está fora do ecrã. A maioria dos adolescentes disse que os pais tinham pouco ou nenhum papel no uso diário da aplicação, mas, quando intervinham, o efeito era interromper a exposição e estimular um olhar crítico sobre o que estavam a ver. Refeições em família, tempo com irmãos ou a simples presença dos pais quebravam longos períodos de scroll. Menos vigilância, mais literacia mediática.
Para quem gere uma unidade de saúde, o interesse da notícia não é o TikTok. São os utentes que daqui a alguns anos entrarão em consulta já com uma ideia formada sobre alimentação, corpo e o que é normal comer — construída por um algoritmo muito antes de qualquer profissional a poder discutir.
Fonte: Euronews
OMS
Ébola na RDCongo: 70 mil doses de uma vacina que não está aprovada para a estirpe em causa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a disponibilização à República Democrática do Congo de 70 mil doses da vacina Ervebo. A vacina está aprovada contra o vírus Ébola, mas não contra a estirpe Bundibugyo, que é a responsável pelo surto que afeta atualmente aquele país.
Das 70 mil doses alocadas pelo Grupo Internacional de Coordenação para o fornecimento de vacinas, 20 mil destinam-se a um ensaio clínico em fase avançada, para determinar se a vacina protege contra a estirpe Bundibugyo. As restantes 50 mil vão para trabalhadores de primeira linha e profissionais de saúde, de acordo com as recomendações do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE) da OMS. A própria organização sublinha que se desconhece se o Ervebo protege os seres humanos contra esta estirpe; resultados preliminares obtidos em laboratório e em animais sugerem que poderá conferir alguma proteção.
Segundo os últimos dados divulgados pelo Governo congolês, o número de mortos no surto subiu para 2516.
Fontes: Saúde+ · ONU Info · Saúde+ (balanço de mortes)
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