NOTÍCIAS DO DIA
INFARMED
Tromalyt regressa às farmácias em quantidades ainda reduzidas

O Tromalyt — ácido acetilsalicílico (AAS) 150 mg, antiagregante plaquetário indicado na prevenção secundária da cardiopatia isquémica e de acidentes vasculares cerebrais (AVC) — começou a chegar novamente a algumas farmácias, embora em quantidades muito reduzidas. Ema Paulino, presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), refere que algumas embalagens foram sendo introduzidas no mercado nos últimos dias, mas que ainda não existe abastecimento à escala anterior à rutura. O medicamento esteve esgotado desde 4 de junho por motivos de fabrico; a circular da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (INFARMED) apontava inicialmente 31 de julho para a normalização, prazo que veio a ser sucessivamente adiado.
Durante a rutura foi permitida a substituição, em prescrições já emitidas e válidas, por apresentações de ácido acetilsalicílico 150 mg em comprimido e comprimido gastrorresistente, que não são comparticipadas. A versão genérica em AAS 150 mg chegou também a entrar em rutura por elevada procura; mantém-se disponível o ácido acetilsalicílico Aurovitas, em comprimidos gastrorresistentes.
O INFARMED recomendou às farmácias que se abstivessem de manter quantidades elevadas em stock, para assegurar uma gestão criteriosa das unidades disponíveis.
Fonte: Jornal de Notícias
SNS
Diabetologia alerta que atualização do RNU pode interromper o acesso à insulina

A Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) alertou na segunda-feira para o risco de pessoas com diabetes ficarem sem acesso à comparticipação de medicamentos, insulina e dispositivos de controlo da doença, devido aos constrangimentos na atualização administrativa do Registo Nacional de Utentes (RNU). Enquanto a atualização não está concluída, podem surgir dificuldades no acesso à comparticipação nas farmácias.
Estevão Pape, da SPD, sustenta que uma doença crónica não pode ser gerida em função da capacidade do sistema administrativo para manter os dados atualizados e que, na diabetes tipo 1, sendo a insulina indispensável à sobrevivência, qualquer obstáculo administrativo deve ser tratado como questão de saúde e não como problema burocrático. A sociedade defende que a regularização dos dados possa ser feita sem deslocação do utente aos centros de saúde e pede mecanismos de resolução rápida, sem colocar sobre o utente o ónus de ultrapassar uma falha administrativa.
A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) esclareceu que é exigida presença física numa unidade de saúde por razões de segurança e de proteção de dados, mas que o utente pode fazer-se representar por familiar, cuidador ou outra pessoa por si indicada, mediante a documentação necessária.
Fontes: Observador · Diário de Notícias
OM
Ordem dos Médicos saúda adiamento do SINACC e fixa quatro condições para o arranque

A Ordem dos Médicos (OM) considerou prudente o adiamento da implementação generalizada do Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINACC), invocando a falta de condições técnicas e operacionais: o sistema estava em fase de testes, sem Manual de Utilização e Operacionalização, sem formação assegurada para todos os intervenientes e com omissões e incorreções nas tabelas de atos, nomenclaturas e códigos.
Segundo dados provisórios do Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) relativos a maio de 2026, estavam inscritos 278 394 doentes na Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC), dos quais 87 246 — cerca de 31,3% — aguardavam há mais de 180 dias.
Antes do arranque, a Ordem considera indispensável disponibilizar o manual e o regulamento operacional com formação para todos os intervenientes, rever integralmente as tabelas de atos e códigos, realizar testes em todas as instituições com critérios objetivos de entrada em funcionamento e mecanismos de contingência, e garantir a inscrição, a prioridade clínica e a rastreabilidade dos doentes que aguardam pequenas cirurgias e que sairão da LIC.
Fonte: Ordem dos Médicos
ESTUDO
Diagnóstico Gadolinium-Free de Carcinoma Nasofaríngeo: Uma Abordagem de Inteligência Artificial para RM sem Contraste

O diagnóstico e a monitorização do carcinoma nasofaríngeo (NPC) dependem historicamente da ressonância magnética (RM) com contraste endovenoso. Embora o gadolínio seja fundamental para realçar a invasão tecidular e a hipervascularização tumoral, a sua utilização sistemática suscita preocupações crescentes quanto à deposição cerebral a longo prazo, à nefrotoxicidade potencial e aos custos operacionais.
O estudo multicêntrico de Li et al. introduz uma rede neuronal profunda, denominada NPC-Net, concebida para realizar o diagnóstico de NPC com base exclusivamente em sequências de RM nativas (T1w e T2w), eliminando a necessidade de agentes de contraste sem comprometer a acuidade clínica.
Os resultados demonstram que a performance diagnóstica da inteligência artificial (IA) sem contraste é estatisticamente comparável à avaliação humana com contraste, alcançando uma área sob a curva (AUC) de 0,984 na coorte de teste primária e mantendo uma AUC superior a 0,960 em cenários de validação externa independente.
A implementação desta tecnologia “gadolinium-free” permite reduzir o tempo de exame e simplificar o percurso do doente. Contudo, a avaliação de metástases linfonodais cervicais complexas ainda poderá beneficiar do contraste em casos ambíguos.
Fonte: SAÚDEONLINE
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